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Capas Esdruxúlas: O Próximo Nível

Os leitores de quadrinhos que estavam auto-conscientes nos amargos Anos 90 devem lembrar de um truque comercial muito utilizado pelas editoras para compensar a falta de qualidade dos roteiros e ao mesmo tempo atiçar a sanha colecionadora dos aficcionados, sempre dispostos a gastar para comprar qualquer coisa que pareça novidade ou raridade: As capas alternativas.

Naquela década, florescia nas bancas todo tipo de bizarrice nas capas: Adesivos holográficos, capas inteiramente holográficas, capas que brilhavam no escuro, capas em baixo-relevo, capas em 3D (acompanhando óculos), metalizadas, impressas nas cores em negativo, e uma pratica que continua até hoje, a produção de capas com arte alternativa.

Mas desta vez, em 2012, finalmente o negócio alcançou outro nível com o relançamento de X-O Manowar (que não tem NADA a ver com a banda de Heavy Metal Manowar).

X-O Manowar, um personagem chupinhado do Homem-de-Ferro tão anos 90 cuja revista foi criada em 1992 e cancelada em 1999, vai voltar e trazer de volta também a sua velha editora, a Valiant, com uma novidade: uma capa interativa falante para smartphones. Você, possuidor de um iPhone ou Android, vai poder escanear um QR Code (aquele quadradinho com mais quadradinhos dentro, se você não sabe) e colocar seu telephone na área indicada sobre a boca do personagem (faz em público, faz, duvido!) e aí você vai poder ouvi-lo falar com você!

Ou não. Posso te poupar disso com o vídeo abaixo:

É…. isso aí.

Aqueles que não são pegos nesse hype todo, obviamente, podem optar pela capa normal, com arte de Esad Ribic, na qual Conan usa uma armadura muito estranha…

Eu, por outro lado e também pensando nessa maluquice, estou muito mais preocupado com a, ahem, preservação das edições com capas ditas "pornográficas" (uma acusação injusta) de Warlord of Mars e Warlord of Mars: Dejah Thoris da Dynamite Comics, que está sofrendo processo pelos detentores dos direitos autorais de Edgar Rice Burroughs porque eles entenderam que a arte está muito explícita.

Bem, o próprio Edgar não foi muito conspícuo na sua descrição original de Dejah, uma mulher imortal e perfeita que usa somente jóias como vestimenta:

And the sight which met my eyes was that of a slender, girlish figure, similar in every detail to the earthly women of my past life… Her face was oval and beautiful in the extreme, her every feature was finely chiseled and exquisite, her eyes large and lustrous and her head surmounted by a mass of coal black, waving hair, caught loosely into a strange yet becoming coiffure. Her skin was of a light reddish copper color, against which the crimson glow of her cheeks and the ruby of her beautifully molded lips shone with a strangely enhancing effect.

She was as destitute of clothes as the green Martians who accompanied her; indeed, save for her highly wrought ornaments she was entirely naked, nor could any apparel have enhanced the beauty of her perfect and symmetrical figure.

Parece bem correto para mim… frescos.

Via

Sobre o autor

Matheus Vale

Matheus Vale, o "HQ-Man", é quadrinhologista, arqueocomicólogo e teórico da Nona Arte, e dedica um tempo absurdo com essas bobagens, porque ama todos esses universos.

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