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Opinião: Homem de Aço?

[[[ ATENÇÃO: ESSE TEXTO CONTÉM ***SPOILERS***. ESTEJA AVISADO.]]]

 

Olhe, lá no céu!”

É um pássaro?”

É um avião?”

Salvem suas vidas, é o Superman!”

Man of Steel, o esperado reboot cinematográfico do Superman. Após ter assistido o mesmo, posso chamar a atenção para as qualidades da película e dizer que, apesar dos defeitos (mas qual filme hoje em dia não tem?) o filme é realmente muito bom. Tem bastante ação, aventura, romance, efeitos especiais impecáveis e um elenco que interpretou muito bem os papéis que lhes foram dados. Tem até cenas bastante tocantes e cheias de emoção. Amy Adams ficou bem como Lois Lane e soube equilibrar muito bem a inteligência da repórter do Planeta Diário com sua teimosia marca registrada, Lawrence Fishburne também, no papel de Perry White. Os vilões Faora e Zod, interpretados respectivamente por Antje Traue e Michael Shannon realmente conseguem parecer ameaçadores sem ser completamente unidimensionais (um erro bastante comum em vilões de cinema). Estes vilões são críveis, e tem uma meta e uma ideologia própria a qual, embora nos seja hostil, é até possível de se entender. Não são maus apenas por serem maus. Henry Cavill também foi muito bem escalado no papel de herói. Ele tem o corpo e o queixo quadrado de um e sabe interpretar. No fim, posso dizer que, se tratando do gênero “filme de super-herói”, Man of Steel é um dos melhores.

Infelizmente, o Super-herói deste filme não é o Superman.

Não estou falando apenas da cena polêmica no fim do filme, quando o Kal-El se vê obrigado a matar Zod para salvar uma família. Nas histórias em quadrinhos, algumas vezes ele foi obrigado a deixar de lado seu código moral de não matar e acabou precisando tomar essa derradeira decisão, mas nunca sem pesada consideração e sempre com resultados extremos para sua própria psique, tornando-se um recurso raramente usado e somente em último caso pelo Homem de Aço, transformando tal acontecimento e suas consequências no ponto focal da história, justamente para ilustrar o quanto a vida lhe é preciosa. Qualquer outra opção a matar disponível é preferível, como visto em Superman Vs. A Elite, mostrando uma solução extrema, mas que preserva a vida. Não, o problema real são todas as lições mostradas no filme, dadas pelos seus pais biológicos e adotivos, Jor-El e Jonathan Kent, e pela forma descuidada com este Superman trata o mundo e as pessoas ao seu redor.

Isso é o que o Clark faz num tornado...

Isso é o que o Clark faz num tornado…

... e é assim que seu pai reage.

… e é assim que seu pai reage.

 

Durante seus 75 anos de existência, por várias e várias vezes foi estabelecido que Clark Kent foi criado pelos seus pais humanos, Jonathan e Martha Kent, para ser um bom homem. Isso inclui ser honesto, altruísta, trabalhador, correto, leal aos amigos, justo com os inimigos e não se deixar corromper pelas oportunidades. Você não precisa ter superpoderes para seguir nenhum desses conselhos! O fato de que o Clark TEM poderes levou seu pai humano a incutir nele mais um forte valor moral, o valor representado muito bem por uma frase que costuma ser vista na HQ de um OUTRO super-herói quem também veste-se de azul e vermelho: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades.” E embora seus pais tivessem medo da exposição dos poderes do Clark ao público antes que ele estivesse pronto para escolher seu próprio caminho, no filme me parece que as lições que Jonathan dá para seu filho são lições sobre como mentir e se acovardar, deixando a entender que a própria segurança do Clark – e a deles – é mais importante que as vidas as quais o Clark pode salvar. Na cena na qual o menino pergunta se deveria deixar as pessoas no ônibus escolar morrerem e o pai responde “talvez”, acabou para mim qualquer pretensão de achar que estava vendo um filme do Superman. Chamem-no de qualquer outra coisa.

Essa não é a única cena que me perturba.

A “vingancinha” do Clark ao destruir completamente o caminhão do bêbado que zoou com ele no bar parece completamente desproporcional ao insulto. Se essa demonstração vulgar de poder não assustou você, parabéns, você está insensível. Teria sido fácil para David Goyer, o roteirista, resolver esse conflito de uma maneira mais leve e até com mais humor, mostrando uma maturidade de alguém conhecedor de suas capacidades, mas também sutil na sua utilização.

Neste filme, antes de vestir o uniforme, não vemos o Clark efetivamente ajudando as pessoas como vemos em outras recontagens de suas origens, como em Legado das Estrelas (da qual esse filme deve grande inspiração) ou Origem Secreta, ou a era John Byrne. Vemo-lo apenas fazendo o mínimo possível (para alguém com seus vastos poderes) em situações de perigo nas quais, se ele não fizesse nada, seria negligência absoluta de consciência. Parece-me quase como se ele o fizesse por uma obrigação inescapável, não por uma necessidade altruísta de realmente fazer o bem. E sempre, sempre se escondendo. Ele não é um herói, ele é um recluso solitário preso às regras de autopreservação ensinadas a ele pelo seu pai humano.

Você não verá essas cenas no filme.

Você não verá essas cenas no filme.

Após vestir o uniforme, nós não vemos um herói, mas uma ameaça. Este não é o Superman que alguém pode se sentir protegido ao estar do lado. Ele não representa a justiça, a bondade e o sacrifício. Ele não transmite esperança, embora ele queira dizer que seu símbolo significa “Esperança”. Mas esperança para quem? Para nós, humanos? Ou para sua própria raça alienígena, como seu pai biológico Jor-El deixa claro a qual ele tem a missão de salvar com o DNA de um planeta inteiro no seu corpo? E talvez nem mesmo isso, uma vez que ele destruiu a Câmara Gênese na luta contra o Zod. Para mim, esse foi o equivalente a esmagar a Cidade Miniatura de Kandor com as mãos. Eu vejo o Wolverine tomando este tipo de decisão, mas o Wolverine não é messiânico, você não vê ninguém usando uma camiseta “O Que Wolverine Faria?” (Uma brincadeira com a campanha “What Would Jesus Do?”, se você não conhece), mas a frase se aplica ao Superman que eu esperava ver e não vi.

Ao criar o Clark com este tipo de lição, e de certa forma transferir seu pilar moral do seu pai humano para seu pai alienígena, parece que o filme está querendo dizer que Kal-El deve se sentir acima dos seres humanos, e não parte da humanidade, e por causa disso nós temos um ser superpoderoso mas descuidado e com pouca consciência de como ele afeta o mundo. Ele não se esforça em nada para diminuir a perda de vidas humanas ao seu redor, toda morte provocada por sua batalha com os invasores parece encarada como “dano colateral”. Não há heroísmo em suas ações, apenas a destruição esperada de um desastre natural, um terremoto ou um tornado. Ele nem mesmo tenta refrear a destruição. Não é de se admirar o horror nos olhos das pessoas de Metrópolis ao acompanhar a troca de socos final entre Kal-El e Zod. Eles não olham mais para o céu com assombro e admiração, mas com medo e desconfiança.

E nem isso.

E nem isso.

Em todas as oportunidades dadas aos produtores deste filme para mostrar o quanto o Superman pode ser grandioso e exemplar, os produtores escolheram seguir por outro caminho, e falharam na responsabilidade de apresentar à uma audiência maior e nova o herói como ele realmente deve ser.

Superman é mais que uma coleção de superpoderes.

Superman é mais que uma coleção de superpoderes.

Eu sei que muitas pessoas estavam esperando ansiosas por esta reinterpretação, exaltando a necessidade de existir um “Superman para o Século 21“, modernizado e mais antenado com os tempos atuais. Porém, poucas pessoas parecem compreender que o Superman não é “só mais um super-herói” e nem é apenas uma coleção de superpoderes. Ele foi um dos primeiros, e até hoje, é um dos melhores. Ele não é mais apenas um personagem, ele é um ícone, uma inspiração, uma imagem imediatamente reconhecível em qualquer cultura do mundo por qualquer pessoa, mesmo para quem não lê HQs, e não é apenas o “S” do peito que as pessoas reconhecem ou a roupa azul e a capa vermelha. As pessoas reconhecem as ações e atitudes de elevada moral e ética universal dele, pois nós humanos, pequenos e imperfeitos, aspiramos todos no íntimo a ter a mesma moral e ética elevada do Homem de Aço. O Superman é alienígena, mas ele é acima de tudo o mais humano de todos os humanos.

Em algum lugar do mundo neste exato momento, tem um menininho amarrando um lençol no pescoço e sonhando, do fundo do seu coração, ser o Superman.

Eu espero muito que ele não esteja querendo ser o Superman deste filme.

ByrneSuper001

Sobre o autor

Matheus Vale

Matheus Vale, o "HQ-Man", é quadrinhologista, arqueocomicólogo e teórico da Nona Arte, e dedica um tempo absurdo com essas bobagens, porque ama todos esses universos.

20 comentários

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  1. jefferson abreu

    Cara eu amei o filme , sou muito fã do vermelho vi muita influencia da Terra um que li recentemente, gostei muito do rroteiro e tudo mais, mas acho que devemos ver o filme com uma mente mais aberta, eu adorei sua analise e gosrtei muito dos pontos que abordou, concordo com a maioria deles, mas não gosto da ideia de que ele tem que ser igual sempre. Esse super é sim mais solitário e que menos se importa com as pessoas, na luta que vc citou acho que vi uns 10 prédios Caírem fáceis rsrsrs, mas não é o ponto eu vi um super heroi se formando, na minha cabeça eu tentei me colocar no lugar daquele personagem ali como na cena do bar eu te digo com toda sinceridade que eu TYeria feito IGUAL ou até pior por mais educado que eu seja e por mais controlado que eu tente ser EU SOU poderoso e sei disso ele até foi bem controlado em não pegar o malandro e jogar longe. Bem acho que vc entendeu o que eu queria dizer, eu assitir o filme com olhos de fã sim mas tambem como pessoa, por isso acho esse superhomem muito mais humano e muito mais realista, ninguém tem sangue de barata e vc tem que levar em conta que ele estava em formação, pode negar que no final do filme ele virou o Super que vc conhece ? como vai ser a partir do segundo filme ? a construção de um herói aconteceu agora, ele não é realmente o super que vc conhece pq ele não foi formado ainda pode ser explorado no segundo filme como um heroi de verdade. eu dei nota 10 pro filme, me emocionou. Abraços hq-man.

    1. Matheus Vale

      O grande problema de tentar fazer o Superman “mais humano” é que ele já é O MAIS HUMANO DOS HUMANOS. Quando você recria ele tentando trazê-lo para “o nosso nível”, ou seja, para o nível moral médio de todos nós, eu e você e seu vizinho, você na realidade o está diminuindo, não o elevando.

      1. jefferson abreu

        entendo, eu acho super compreensivo que Jonathan nao queira expor o Clark, exste pessoas assim que sabem que pode fazer a diferença mas não agem pra realmente fazer, até aquele momento não se sabia as fraquesas e muito menos a dimensão dos poderes do kal-el, como eu disse Vi o filme com amente mais aberta possivel acreditando que é apenas a Formação e que ele pode vir a ser depois.

      2. jefferson abreu

        Hq man adorei a explicação do Snyder sobre uma das mudanças que vc citou.

        http://omelete.uol.com.br/superman-homem-de-aco-man-of-steel/cinema/o-homem-de-aco-exclusivo-zack-snyder-fala-sobre-o-polemico-final/

        1. Matheus Vale

          Eu discordo muito do Snyder na racionalização dele por motivos que eu já expliquei: Deixar o personagem “mais como nós” não o melhora, e se o mundo mudou e ficou mais cinza, agora mesmo é que precisamos de uma inspiração para sair disso, e não chafurdar mais ainda nessa lama. O Superman nunca combinou com uma personalidade sombria e pessimista como o Snyder quer que acreditemos agora.

          1. André

            Numa boa, Mattheus, acho que um Super messiânico, “Jesus Cristo” assim… não funcionaria. Seria arriscado DEMAIS para um mega-conglomerado como a Warner. Se a DC fosse autônoma como a Marvel ERA, quem sabe. Como diversos autores já deixaram claro, o Super é extremamente difícil de trabalhar, pelo menos numa narrativa dele como protagonista. Como trabalhar a mentalidade, as motivações e a caracterização de alguém tão… inumano? E quando você coloca ele como “o mais humano dos humanos”, vejo um desvio… ele é e sempre foi a antropomorfização das virtudes, mas um lado humano que justamente lhe falta é errar. O único defeito dele é não ter defeitos. Ou, se você olhar por outro lado, ser certo correto demais.
            Em tempos mais ingênuos, uma caracterização estilo Christopher Reeves funcionava. Hoje, em meio a Tony Starks, Peter Parkers e outros, depois da Trilogia do Batman do Nolan, um Super como o dos quadrinhos teria um grau de risco absurdo de não funcionar junto ao mainstream.

          2. Matheus Vale

            Oi André.
            Sim, eu compreendo o que você quer dizer. Mas hoje em dia todo filme de grande estúdio é uma aposta. Não há exceção e para o estúdio, eu sinto que pouco importa se eles estão fazendo um filme realmente bom e fiel, desde que ele possa se pagar e dar lucros. Vide “Transformers”. São campeões de bilheteria? Com certeza. São bons? Duvido muito. Então eu não vejo “o personagem ser difícil” como uma desculpa para não trabalhar bem com ele. Os Transformers são incrivelmente simples nos seu conceito e mesmo assim eles fizeram o que fizeram.

            E eu tenho consciência que o Superman não é onipotente, e nem pode ser. Mesmo com todos os seus poderes, ele não pode proteger todo mundo. Mas isso não vai impedi-lo de tentar com todas suas forças. E isso eu não vejo no filme, com exceção talvez do salvamento da estação de petróleo, mas ele estava lá perto meio “por acaso”. No ônibus ele também estava “por acaso” e ainda levou bronca por SALVAR VIDAS. No resto do filme, eu não vejo ele se esforçando para proteger as pessoas. E eu acho, como coloquei, que nem precisavam mudar o roteiro todo. O roteiro de Man of Steel é bom. Mas os realizadores escolheram NÃO MOSTRAR que ele se importa, só naquela cena final com o Zod, e me pareceu bem forçado depois de toda a destruição vista até aí.

            Ele pode errar o quanto qualquer outro humano, mas o filme não mostra ele se esforçando para NÃO ERRAR. E nas HQs, pelo menos nas boas histórias, isso sempre é mostrado.

  2. Cassiano

    Olá, parabéns pelo artigo, muito bom! Permita-me discordar de alguns pontos. Refleti nisso que você falou sobre o Super ser menos ‘super’ (no sentido de seus valores); que seu pai Jonathan, estava mais preocupado em protege-lo do que salvar vidas (em suma) e assim por diante.

    Bom a leitura que eu faço disso é que esse Superman do filme é um personagem em um universo mais próximo ao ‘mundo real’, semelhante ao que foi feito com o Batman. Neste mundo real, mais cinza e menos romântico do que o universo dos quadrinhos, uma ‘aberração’ como o Superman seria perseguido, dissecado e sei lá mais o que. Nesse sentido o próprio universo da Marvel é mais ‘cínico’, por ter a perseguição dos mutantes, eu acho.

    Eu concordo que a cena do caminhão foi exagerada. Tipo ‘não gostei de sua atitude, não vou bater em você, vou acabar com sua vida destruindo seu ganha-pão’, acho que é sujar demais as mãos e chamar uma atenção desnecessária, mas de certa forma foi dar um leve toque de humor em um filme que tem muito pouco ou quase nada.

    No final o que quero dizer é que sim, o Superman do filme é diferente do Superman dos quadrinhos talvez na mesma medida que o universo do filme é mais parecido com o nosso e muito menos com o dos quadrinhos.

    1. Matheus Vale

      OI Cassiano.

      O seu ponto de vista é um bom ponto de vista e muito válido. Se estivéssemos falando de quadrinhos, seria como se esse filme se passasse num “Elseworlds” e não teria realmente nada de errado com isso. Mas tem duas coisas nele que me incomodam, e o primeiro foi o que eu respondi para nosso amigo Jefferson num comentário anterior: O Superman já é o ápice da moral humana, ele é o Messias que deve inspirar a humanidade a seguir o caminho do bem o do altruísmo. Até mesmo o Jor-El fala isso no filme mas isso não é seguido pelo Kal-El. Quando os autores do filme decidiram torná-lo mais real, eles o estão diminuindo, retirando dele um aspecto fundamental, e não o elevando. E eu acredito que mesmo sob a ameaça de se tornar um perseguido e alvo de escrutínio científico agressivo, o Superman continuaria fazendo o que é certo.

      O segundo eu encaro com um pouco mais de ironia, e não do seu ponto de vista, mas dessa tendência de Hollywood de querer fazer tudo “no mundo real”. Ora, estamos falando de um universo onde alienígenas superpoderosos podem viajar bilhões de quilômetros no espaço para chegar aqui e dobrar as leis da Física com a própria força de vontade. Eles deveriam esquecer essa pretensão de fazer um filme “real” porque desde o começo não tem nada de realidade nisso, e se concentrar em fazer filmes mais divertidos e menos críticos com os universos das HQs de onde eles vieram. E não tem nada de errado com isso.

      Obrigado por dividir sua opinião.
      Um abraço!

      1. Cassiano

        Oi Matheus,

        No final você tem razão, nesse universo do filme o Superman é menos o símbolo que o personagem, de fato, é. Mas da mesma forma que considero o Batman do Nolan menos Batman também. No caso de filmes mais próximos à nossa realidade, digo duas coisas: que é a tendência atual (veja os filmes da Marvel, mesmo o Thor foi bem menos fantástico e buscando trazer ele à realidade), e essa chamada ‘realidade’ eu chamo de pseudo-realidade, pois o que importa é uma visão de coerência, mas repleta de licenças poéticas (por assim dizer) como um porta aviões que voa ou alienígenas com poderes metafísicos.

        Gosto muito de quadrinhos e também de conversar sobre eles. A única forma de eu gostar mesmo desses filmes é diminuir minhas expectativas e aceitar essas diferenças. No final é uma adaptação do personagem, tão somente.

        Até o próximo filme!

  3. Emanuel

    Olá HQ-man, concordo plenamente sobre sua interpretação sobre o filme. Eu li seu artigo antes de ver o filme então eu já sabia que Superman mataria Zod. Seu eu n tivesse visto aqui eu provavelmente naquele momento do filme imaginaria que o Superman se colocaria na frente da família e a protegeria. Eu achei mt épica a luta entre o Superman e o Zod, mas achei exagerado demais o Superman jogar o Zod em prédios e mais prédios. Ainda mais em prédios que haviam pessoas. Foi realmente uma pena retratarem o Superman assim, senão o filme seria perfeito. Mas vai que no segundo melhoram alguma coisa.

    HQ-man continue assim, abraço.

  4. Alottoni

    “Eles não olham mais para o céu com assombro e admiração, mas com medo e desconfiança.”

    Matheus, foi justamente esse conceito que me fez gostar pra caralho do filme!

    1. Matheus Vale

      Muita gente gostou, e se não fosse o Superman, se fosse um herói análogo dele como a gente vê em outras editoras, até eu teria gostado. Mas eu não acho que é isso que o Superman deve representar.

  5. Rodrigo Varandas

    Acho que esse Super-Homem ser desastrado, descuidado e irresponsável foi assim pra mostrar a evolução dele nos próximos filmes. Essa foi a primeira vez dele em ação, a primeira vez podendo se soltar e conhecer seus limites, como um adolescente que ainda não tem consciência de que cresceu e agora ele já sabe o que é e qual o impacto dele no mundo. Ele passou a vida tentando não ser um alien e agora ele pode ser quem ele é e amadurecer sua persona heroica. Man of Steel não é a história do Super-Homem e sim a jornada de Kal-El, o primeiro kriptoniano nascido naturalmente em décadas, em Super-Homem e realmente acho que num próximo filme, Man of Steel 2 ou Liga da Justiça, vamos ver um Clark Kent mais maduro, mais responsável e mais próximo do Messias dos quadrinhos.

    1. Matheus Vale

      É, eu já pensei nessa possibilidade porque, afinal de contas, os produtores precisam fazer pelo menos uma trilogia para garantir que o dinheiro continue entrando e sim, eles vão usar esse tipo de desculpa para garantir que tenham mais filmes e mais dinheiro. Mas eu sinto que isso é usar de malandragem com o telespectador para ordenhar dinheiro obrigando você e eu a assistir mais um ou dois ou mais filme na esperança de ver esse amadurecimento, e talvez isso nem aconteça, uma vez que o público cada vez mais sedento de sangue vai querer ver é mais destruição e espetáculos “massavéio” e menos desenvolvimento de personagem.

      Agora, imagine se o filme não tivesse dado uma boa bilheteria e uma sequência não fosse possível? Eu vi isso acontecer com o filme “Dredd” do ano passado, e Dredd estabelece o personagem sem erro nenhum. Que sacanagem seria, não é não?

      A verdade é que se eles quisessem mesmo e conhecessem e se importassem com o Superman em vez de enxergá-lo apenas como uma máquina de fazer dinheiro, adaptando ele só para satisfazer a sanha violenta da grande maioria dos espectadores que também não conhecem e também não se importam com o que o Superman representa, eles poderiam facilmente estabelecer o personagem completamente em um filme. Talvez até menos que isso. Mas agora é tarde.

  6. fredmorsan

    A vingancinha em “Superman II” é bem melhor, né? Depois de tomar uma coça do caminhoneiro, após Clark querer resolver algo banal “Lá Fora” (que poderia ser evitada mudando ele e a Lois de lugar), ele recupera os poderes e volta na lanchonete pra forra! Com direito a quebrar a mão do cara e destruir a lanchonete (mesmo que, depois, pague pelo prejuízo). “Isso”´é o Superman pra você, né?

    E ele não ajuda as pessoas? É sério isso? Quer dizer então que o cara vai numa plataforma de petróleo pegando fogo, resgata TODOS de lá vivos e inteiros, segura a estrutura metálica para que o helicóptero possa sair dali (e o deixando pra trás), e você me diz que ele não ajuda as pessoas neste filme? Como que Lois Lane encontra ele mesmo? Ah, lembrei. Através de histórias de anjos e salvadores sem rosto que ajudam as pessoas em situações de risco.

    Acho que vimos filmes bem diferentes…

    1. Matheus Vale

      Sim, claramente é melhor. Apesar de ainda estar usando seus poderes, o Clark provocou muito menos danos de forma muito menos permanentes, e provou até com um pouco de bom humor (conceito desconhecido em Man of Steel) o ponto dele, característica bem antiga no Superman. O Superman não precisa ser um fracote que dá a outra face, mas ele tem todo o poder para não ser um babaca que transforma o ganha-pão de um homem incapaz de se defender dele num enfeite de Natal. E ele PAGOU pelo estrago no bar, então menos mal.

      Leia o texto de novo. Eu disse que ele não ajuda as pessoas ATIVAMENTE. Basta comparar com Legado das Estrelas ou Origens Secretas para ver a diferença. Pense da seguinte forma: Superman é o único adulto numa sala lotada de criancinhas pequenas cheia de armadilhas. Como um herói, ele não tem outra opção a não ser tentar evitar que todas acabem se machucando, e para isso ele precisa ser proativo, precisa circular e ser vigilante. Em Man of Steel, nas vezes que o Clark ajuda as pessoas comuns, ele está nos locais por acidente, menos na ocasião do tornado, na qual ele não faz nada. E por ter agido CERTO no acidente do ônibus ele ainda toma uma bronca. Certamente o Superman que eu me acostumei a ler nunca colocaria o próprio segredo acima das vidas humanas que estavam em risco ali. Se ele ajuda as pessoas ativamente em outras ocasiões no filme, essas ocasiões não são nem mostrada nem mencionadas.

  7. fredmorsan

    Duvido muito que um humano com os poderes do Super faria o que ele fez por nós. Pelo contrário, usaria seus poderes para satisfazer seus próprios desejos.

    A reação de Jonathan quando diz “Talvez” demonstra a natureza humana perfeitamente: egoísta e maldosa. Nós somos maus por natureza e temos lampejos de bondade. E Clark, mesmo sabendo que seu pai não aprovaria sua ação, foi lá e salvou os colegas de escola. Demonstração total de altruísmo e bondade.

    Engraçado é as pessoas confundirem que a “esperança” refletida pelo Superman tem que ser ele a todo instante limpando a sujeira que nós seres humanos fazemos com nosso mundo e com nosso semelhante. Na minha visão, “esperança” é você ser visto como exemplo a ser seguido e de fato inspirar as pessoas a serem melhores. O que não vemos nem nas próprias HQs, onde nós humanos nunca melhoramos, nunca agimos de forma altruísta, sendo sempre dependentes do Superman, como alguns adultos que ainda vivem na dependência dos pais.

    1. Matheus Vale

      Sim, eu também duvido muito que eu, ou você, ou meu vizinho, com os poderes do Superman, não satisfaríamos nossos próprios desejos e tocaríamos o terror com eles. Mas eu, você e meu vizinhos somos pessoas reais e vivemos vidas reais cheias de vicissitudes reais. O Superman é um ideal, e esse ideal é que pode existir uma pessoa cujo poder absoluto não corrompe. O poder absoluto, no Superman, na realidade o absolve do medo, da dor, do ódio e da cobiça, e uma vez livre de todos defeitos provenientes das inseguranças humanas, o que surge é um ser intrinsecamente BOM. E esse ser pode existir no cerne de todos, e isso é algo a se aspirar.

      Essa é sua opinião sobre a raça humana e se me permite, eu acho bastante triste que seja. Com exceção talvez dos psicopatas, nenhum ser humano nasce mau. Todos temos capacidades iguais para o bem e para o mal, e é o convívio com a Sociedade, inclusive e principalmente, com nossos pais, o determinante para nossas reações diante dela. E lembre-se, quando Clark salvou o ônibus, ele ainda não sabia que seu pai não aprovaria. A cena da bronca e do “talvez” foi depois. E foi nesse momento, vendo a reação egoísta deste Johnathan Kent, o ponto determinante para Clark se tornar um recluso mais preocupado consigo mesmo, em vez de se tornar um verdadeiro herói.

      “Esperança é você ser visto como exemplo a ser seguido e inspirar as pessoas a serem melhores”: É justamente neste ponto que a “esperança” desse filme falha, pois eu não vejo esse Superman sendo inspiração para nada à elevar o espírito humano. Ele mais parece uma arma de destruição em massa, e armas com este nível de capacidade destrutiva, mesmo se forem usadas apenas nos meus inimigos, me enchem de pavor, não de esperança.

      E se você não está vendo nenhum ser humano melhorando e agindo de forma altruísta para com os outros, eu vou te dar uma dica garantida para você ver um: Comece por você.

  8. Sandro Hojo

    Esse post se tornou um debate interessante!!!!!
    Pena que ainda não posso dar a minha opinião sobre o filme atual, pois (por problemas pessoais) ainda não assistí! Mas queria comentar algo que o André escreveu:

    “Em tempos mais ingênuos, uma caracterização estilo Christopher Reeves funcionava. Hoje, em meio a Tony Starks, Peter Parkers e outros, depois da Trilogia do Batman do Nolan, um Super como o dos quadrinhos teria um grau de risco absurdo de não funcionar junto ao mainstream.”

    Relembrando o primeiro filme, acho que funcionaria sim!
    Esse “bobismo” seria um diferencial! Assim como o Batman do Nolan se mostra um “baladeiro”… ele de máscara é o herói mais sombrio do local! Nada mais justo que o reporter grandão e bobo da cidade seja o ser mais poderoso do universo que não tenha Kriptonita!!

    Lendo os comentários de vocês, me veio uma coisa:
    O Superman está nessa linha de “não sei o que fazer com todos os meus poderes”
    Talvez com a sequencia com o Batman, ele entenda o caminho que ele deve seguir diante do mundo!

    É apenas uma suposição!
    Mas apesar dos erros que o filme atual teve, eu acredito que tenha sido uma nova porta de entrada pro Supinho nos cinemas!!!

    E eu gostei do Superman V!
    Talvez se usassem o ZOD ao invés do Luthor, aí se tornaria um filme bacana de verdade!
    Aquela cena em que ele voa pra salvar o avião… era tudo que eu queria ver nos 4 primeiros filmes!

    Enfim…
    HOMEM DE AÇO… tá em primeiro na fila pra assistir! Espero que continue em cartaz até eu conseguir!
    E agora ainda mais animado pra ver! Só pra poder participar melhor da conversa aqui eheheheh

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